
Que algumas pessoas ainda tem preconceito contra os vegetarianos, todos sabem. Mas, ao saber que a moça vegetariana está grávida, aí sim, prepare os ouvidos para ouvir muita coisa absurda. Criança vegetariana então, nem se fala!!! Mas, vamos falar primeiro das grávidas. E da minha experiência.
Desde que me tornei vegetariana, já estava claro em minha mente que eu não mais comeria carne, nem mesmo na gravidez e amamentação.. E os filhos, consequentemente, seriam vegetarianos.
Assim que descobri que estava grávida, comecei a pensar: "se a médica falar besteira da dieta, nem perco meu tempo, procuro outros médicos, tem tantos por aí mesmo". Mas ela até me disse que é a melhor dieta para as gestantes, porque nutre muito bem o feto, evita o famoso intestino preso e, por ser uma alimentação mais leve e saudável, nós, gestantes, temos menos problemas com os enjoos (não que eles não existam, claro, mas eu não os tive mesmo), pressão alta e, se não abusar dos doces e refrigerantes (como algumas pessoas, sejam vegetarianas ou não, abusam), diabetes gestacional.
Mas isso não significa que eu não tive que tomar as vitaminas recomendadas, além da B12: ácido fólico e ferro. Fora isso, ter uma alimentação bem balanceada mesmo. Meu maior aliado neste quesito foi (e continua sendo) a feira que vou semanalmente, comprar minhas vitaminas em forma de frutas, verduras e legumes fresquinhos.
Outra vantagem que os vegetarianos tem é o fato de se preocuparem em ler mais sobre nutrição, aprender sobre as melhores combinações para potencializar a absorção de determinados nutrientes, quais combinações evitar, além de experimentar muito na cozinha, usar temperos naturais, abusar de sucos e frutas. Com isso, a alimentação fica muito mais balanceada e nutritiva que a alimentação onívora que, quando saudável, é composta de arroz, feijão, carne e salada de alface.
Algumas pessoas ficavam preocupadas com o fato de eu não comer carne de nenhum tipo, estar grávida e nem cogitar comer pelo menos um peixinho... Mas minha melhor resposta era, e continua sendo, a minha saúde. Claro que sempre tinha alguém que começava a falar muitas asneiras, a pior foi: se a grávida não comer carne nenhuma, o bebê nasce sem cérebro. O que eu respondi? Que isso era besteira e coisa de programa sensacionalista... depois, começaram a me deixar em paz.
Os cuidados que eu tinha com minha alimentação perduram até hoje: comer muitas verduras cruas, verduras cozidas no vapor, vegetais verdes-escuros (ricos em cálcio e ferro), leguminosas (ricas em cálcio e ferro também), cereais, grãos, sementes, oleaginosas, legumes, raízes, tubérculos, frutas (naturais ou em forma de sucos); sempre combinar alimentos ricos em ferro com aqueles ricos em vitamina C, para melhorar a absorção do ferro e evitar os laticínios depois de uma refeição rica em ferro, porque isso inibe a absorção dos dois nutrientes; fazer 5 a 6 refeições diárias, sendo as mais importantes o café da manhã e o almoço (o correto é se alimentar a cada 3 horas, com pequenos lanches entre as refeições, hora certa, sem beliscar o dia todo); beber muito líquido (de 2 a 3 litros por dia). Claro que algumas vezes escapo e como pizza, lanche... mas não é sempre e nem todos os dias. Uma coisa posso garantir: nossa alimentação mudou pra melhor depois que viramos vegetarianos. E eu fui uma grávida muito saudável, com todos os exames perfeitinhos (até a médica comentou que uma moça que ia lá estava com uma anemia séria, e comia carne todos os dias).
A barriga foi crescendo, a Letícia também foi crescendo, segui com meus exercícios (hidroginástica) e me alimentando bem. A única coisa que me arrependo foi de não ter feito acompanhamento com um nutricionista especializado em vegetarianismo, só o que fiz foi pesquisar, pesquisar e pesquisar um pouco mais, por conta própria. No meu caso, deu tudo mais do que certo, mas o que recomendo é fazer mesmo um acompanhamento. A Letícia faz e é muito saudável, obrigada.
Foto: eu, Suzie e Letícia no barrigão de oito meses.
PS: Este post também foi publicado no site http://blogvidaverde.blogspot.com